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Vinho está perdendo consumidores porque ninguém explica direito o que eles vão encontrar na taça

Estudo do Wine Market Council aponta que até 7 milhões de potenciais consumidores podem estar deixando a categoria após poucas experiências negativas ou incompatíveis com seu paladar.

Um estudo do Wine Market Council (WMC), realizado em parceria com a empresa de pesquisa sensorial Quini, aponta para um problema curioso da indústria do vinho: muitos consumidores não estão necessariamente rejeitando o vinho. Eles simplesmente estão escolhendo vinhos que não combinam com seu paladar e, depois de algumas experiências frustrantes, concluem que a categoria não é para eles.

Segundo Christian Miller, diretor de pesquisa do WMC, a indústria pode estar deixando de conquistar 7 milhões de novos consumidores porque essas pessoas experimentam apenas duas ou três opções e acabam julgando toda a categoria a partir dessas experiências.

A pesquisa ouviu 387 consumidores considerados inexperientes ou pouco experientes em vinho, que normalmente compravam a bebida no máximo três vezes por mês. Eles provaram mais de 60 vinhos dos Estados Unidos, Canadá e outras regiões, com preços entre US$ 10 e US$ 80, avaliando características como doçura, acidez, amargor e outras sensações percebidas.

Os resultados desafiam algumas ideias tradicionais sobre o consumidor iniciante. Segundo Roger Noujeim, CEO da Quini, complexidade e persistência no final de boca estiveram entre os atributos mais associados a avaliações positivas tanto para tintos quanto para brancos.

Outro ponto importante é que os atributos não são percebidos de maneira isolada. A adstringência, por exemplo, tende a ser considerada menos agradável quando aparece combinada com baixos níveis percebidos de doçura, álcool ou acidez.

Isso ajuda a explicar por que simplesmente dizer que um vinho é "bom" ou listar uma série de descritores aromáticos pode não ser suficiente. Para quem ainda está descobrindo seus gostos, informações como nível de doçura, acidez e sensação de suavidade podem ser muito mais úteis.

A pesquisa identificou justamente uma dificuldade nesse processo de escolha. Um quarto dos entrevistados afirmou que, nos 12 meses anteriores, suas expectativas não haviam sido atendidas pelo vinho escolhido. A maior discrepância estava relacionada à percepção de doçura.

O problema era ainda mais significativo entre consumidores jovens e menos experientes, justamente o público que a indústria precisa conquistar para formar a próxima geração de consumidores de vinho.

Para Miller, uma das soluções pode estar na própria comunicação dos rótulos. Escalas visuais indicando doçura, acidez e suavidade poderiam ajudar o consumidor a entender melhor o estilo do vinho antes de comprá-lo.

Outra possibilidade apresentada foi organizar cartas de vinhos por características de sabor, e não apenas por países, regiões ou variedades de uva. Noventa por cento dos participantes consideraram úteis essas pistas contextuais para encontrar um vinho adequado ao seu gosto.

A conclusão é quase desconfortável para uma indústria acostumada a falar em terroir, denominações, castas e descritores sofisticados: talvez o consumidor não precise de mais informação. Precise de informação melhor traduzida.

A questão não seria, portanto, produzir um vinho que agrade a todos. Isso provavelmente nem seria possível. O desafio é permitir que cada consumidor encontre com mais facilidade um vinho que corresponda às suas expectativas.

Como resumiu Miller, o mercado pode continuar valorizando a diversidade de estilos, desde que as pessoas consigam identificar quais vinhos têm maior chance de agradar ao seu paladar.

No fim, existe uma diferença importante entre não gostar de vinho e não gostar do vinho que você escolheu. E, para a indústria, essa diferença pode valer milhões de consumidores.

Fonte: Wine Business Monthly

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