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25/03/2026 |
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Agricultores do antigo Oriente Médio priorizavam o vinho em detrimento das azeitonas |
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A análise de milhares de restos vegetais mostra que os agricultores da Idade do Bronze e da Idade do Ferro no Levante investiam água escassa nos vinhedos, destacando a importância cultural e econômica do vinho |
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Agricultores do Oriente Médio, há milhares de anos, priorizavam uvas em vez de azeitonas ao decidir como usar o suprimento limitado de água, segundo um novo estudo do Departamento de Arqueologia e Ciências da Terra da Universidade de Durham, na Inglaterra.
Pesquisadores examinaram mais de 1.500 restos carbonizados de videiras e oliveiras de sítios arqueológicos em todo o Levante e no norte da Mesopotâmia – uma área que abrange os atuais Líbano, Jordânia, Israel, Palestina, Síria, Turquia e norte do Iraque. As amostras datavam do início da Idade do Bronze até a Idade do Ferro, abrangendo aproximadamente 5.000 a 2.600 anos atrás.
Ao medir isótopos estáveis de carbono – formas de carbono que não se decompõem com o tempo – a equipe conseguiu rastrear a quantidade de água disponível para as plantas à medida que cresciam. Os resultados mostraram que, a partir da Idade do Bronze Médio, a irrigação era mais comumente usada para sustentar vinhedos do que olivais, mesmo em regiões mais secas.
Evidências de irrigação
Em média, as sementes de uva apresentaram valores de isótopos de carbono cerca de 3,7‰ mais altos do que os caroços de azeitona, indicando melhor acesso à água, seja por meio de irrigação ou pela seleção de local favorável. A diferença sugere que as uvas, que são mais sensíveis à seca durante a frutificação, receberam maior atenção dos agricultores.
Os dados também destacaram um limiar importante de precipitação. Locais com menos de 500 milímetros de precipitação anual mostraram sinais claros de que a irrigação era necessária para sustentar as uvas, enquanto regiões com mais chuvas exerceram menos pressão sobre as videiras.
Em vários sítios arqueológicos, incluindo Tell Mozan, Qatna, Tell Tweini, Lachish e Tell Tayinat, vestígios de uvas da Idade do Bronze Médio indicavam práticas intensivas de irrigação. Em contraste, as oliveiras – mais tolerantes à seca – eram frequentemente cultivadas em áreas mais úmidas durante a Idade do Ferro para manter a produtividade.
Valor cultural e econômico
As descobertas apontam para uma escolha deliberada dos antigos agricultores de investir recursos em vinhedos, apesar da mão de obra e infraestrutura adicionais necessárias. As uvas amadurecem em um período mais curto e estão mais expostas a meses de seca, tornando-as mais arriscadas para o cultivo do que as azeitonas. No entanto, as evidências mostram que os agricultores estavam dispostos a correr esse risco.
“Esta pesquisa demonstra que, há milhares de anos, os agricultores do Oriente Médio tomavam decisões sobre quais culturas plantar e como gerenciá-las, equilibrando o risco de quebra de colheita com o esforço necessário para irrigar e a provável demanda por seus produtos”, explicou o professor Dan Lawrence, do Departamento de Arqueologia, autor sênior do estudo. “Isso nos lembra que as pessoas do passado eram tão inteligentes quanto as de hoje, e que questões aparentemente modernas, como a resiliência às mudanças climáticas e a necessidade de alocar recursos com cuidado, têm uma longa história.”
Vinho no coração da sociedade
O estudo, publicado na PLOS ONE, confirma que o vinho não apenas fazia parte da vida cotidiana no antigo Oriente Médio, mas também tinha importância econômica e cultural suficiente para justificar investimentos agrícolas significativos. Mesmo milhares de anos atrás, os agricultores da região já se adaptavam à variabilidade climática e tomavam decisões criteriosas sobre a melhor forma de administrar suas plantações. |
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Fonte: The Drinks Business |
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