Trazida originalmente para o Chile pelos colonizadores espanhóis em 1500, a uva País caiu em desuso no século XIX, sendo considerada uma variedade adequada apenas para blends ou para vinhos baratos e de produção em massa. "Ela foi esquecida", conta Daniel Marquez, gerente de exportação da Miguel Torres. "As pessoas se concentravam em variedades internacionais que, na época, eram mais atraentes, como Pinot Noir, Chardonnay e Cabernet Sauvignon."
Mas tudo mudou quando Miguel Torres Maczassek, enólogo da quinta geração da Torres, se apaixonou pelos vinhedos arbustivos da histórica uva. Em uma tentativa de provar que a País podia produzir vinhos de classe mundial, ele lançou dois vinhos monovarietais: o primeiro espumante País do Chile, o Estelado, em 2010, e o tinto leve no estilo Beaujolais, Reserva de Pueblo, em 2013.
Isso impulsionou um renascimento da vinificação com a uva País em todo o Chile e, hoje, Daniel Marquez, gerente de exportação da Miguel Torres, prevê que a popularidade da uva voltará a crescer. “Como são vinhas muito antigas, elas resistem à passagem do tempo, assim como às mudanças climáticas. São vinhedos que passaram muito tempo sem precisar de água”, acrescenta.
O País desbloqueou o potencial
Será que mais produtores começarão a usar vinhas antigas para combater as mudanças climáticas? “Com certeza”, afirma Márquez. Embora já tenha passado uma década desde que a revolução da País começou no Chile, Márquez agora vê a uva decolar na Argentina, no Peru e na Bolívia, onde é conhecida como Criolla. “É algo que definitivamente está ganhando mais força”.
Além disso, a tendência de vinhos tintos leves e gelados combina com o estilo da uva. Márquez explica: “Em um mundo onde as pessoas bebem menos, mas vinhos tintos de maior qualidade e mais leves, isso combina perfeitamente com a País, porque é uma variedade de uva tinta de corpo leve, muito semelhante à Pinot Noir, mas um pouco mais rústica, e é um tinto fantástico para ser apreciado em qualquer ocasião”.
“Você não precisa de um bife, não precisa de uma refeição pesada, basta aproveitar com as pessoas.”
Parte do DNA chileno
Mas a história nem sempre foi tão cor-de-rosa para a País. Em 2012, a histórica variedade de uva correu o risco de extinção, com apenas 5.000 hectares plantados naquele ano (suco de vinho). Marquez relembra: “Na Europa, vinhas antigas são um tesouro, e não tínhamos essa mesma sensação no Chile e na América do Sul naquela época.
“Sabíamos que tínhamos o potencial de fazer um vinho fantástico e de alta qualidade com essa uva, e queríamos mostrar ao mundo que a País podia produzir vinhos excelentes.”
Depois que a vinícola familiar começou a trabalhar com produtores locais para usar as vinhas centenárias, uma onda de outras vinícolas, incluindo a Garage Wine Co e a Roberto Henriquez, seguiu o exemplo.
“Isso fazia parte do projeto”, diz Marquez. “Não queríamos nos autopromover, queríamos que outros nos seguissem.”
“A País faz parte da nossa história, do nosso DNA. Estamos muito satisfeitos por estes vinhos terem sido tão bem recebidos.”








