A Borgonha iniciou a vindima de 2026 na data mais precoce de que se tem registro em quase 500 anos. O Domaine Leflaive começou a colher, em 13 de agosto, as uvas de sua parcela Grand Cru Le Montrachet, dois dias antes do registro histórico de 1556, quando a colheita começou em 15 de agosto.
O início excepcionalmente antecipado foi associado às repetidas ondas de calor registradas durante o verão. Apesar das condições extremas, as uvas apresentam bom estado sanitário, altos níveis de açúcar e, segundo Brice de La Morandière, responsável pelo Domaine Leflaive, acidez ainda muito boa.
A colheita destinada ao Crémant de Bourgogne havia começado cerca de dez dias antes. O calor e a falta de água aceleraram o ciclo da videira e tornaram ainda mais precisa a escolha do momento da colheita.
O historiador Thomas Labbé observa que o episódio faz parte de uma transformação de longo prazo. Entre 1354 e 1719, anos de temperaturas muito elevadas ocorriam aproximadamente a cada 17 anos. Desde 1988, porém, esse padrão mudou: quatro dos dez anos mais quentes registrados desde 1354 estão no século XXI: 2003, 2018, 2020 e 2025.
O calor também provocou preocupação com queimaduras nas uvas e escassez de água. Ainda assim, Paul Carillon, do Domaine Carillon, afirmou que o manejo adequado das folhas e da vegetação ajudou a proteger os cachos. Sua previsão era de uma produção um pouco abaixo da média, mas com qualidade considerada boa.








