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O vinho natural avança, e a maior barreira não é o preço, é achar a garrafa

Um relatório da IWSR mostra que os jovens puxam a demanda por vinhos orgânicos, naturais e sustentáveis em cinco grandes mercados. O obstáculo número um, porém, surpreende: falta oferta na prateleira.

Existe uma nova prateleira se formando no mundo do vinho, e ela tem sotaque jovem. Segundo o relatório "Oportunidades em vinhos sustentáveis, orgânicos e alternativos 2025", da consultoria IWSR, a procura por vinhos alternativos, categoria que inclui os naturais, orgânicos, biodinâmicos e produzidos de forma sustentável, cresce de forma consistente, impulsionada principalmente pela geração Z e pelos millennials. O estudo cobre cinco mercados principais, a Austrália, o Canadá, o Reino Unido, os Estados Unidos e a China, além de dez destinos secundários.

O motor é geracional e tem dois combustíveis: sustentabilidade e saúde. De acordo com os dados da IWSR, as compras de vinhos alternativos aumentaram de forma expressiva desde 2023 na maioria das subcategorias dos mercados analisados. Pelo menos metade dos consumidores mais jovens nesses países relatou uma forte conexão com a sustentabilidade, e pelo menos 64% disseram ter uma ligação forte com os vinhos alternativos. Entre os baby boomers, as taxas são bem menores, o que expõe um racha geracional claro no modo de escolher o que se bebe.

No ranking de oportunidades da consultoria, o vinho natural aparece na liderança, com destaque na China, na Austrália e no Reino Unido. O orgânico vem logo atrás, sustentado por bom nível de conhecimento do público, e o vinho laranja vem subindo posições. Mas o dado mais revelador do estudo não está no que cresce, e sim no que trava.

A maior barreira da categoria não é o preço, é a ausência. Entre 17% e 23% dos consumidores regulares de vinho nos principais mercados disseram, simplesmente, que não encontram opções suficientes, seja no varejo, seja em bares e restaurantes. O preço vem depois, citado por 18% a 23%, e a força do hábito também pesa, com 31% admitindo que preferem o vinho que já conhecem. Ou seja, existe uma demanda represada esperando por oferta. Como resumiu Dan Mettyear, chefe de pesquisa da IWSR para a região EMEA, a escolha e a disponibilidade limitadas são os maiores obstáculos à compra.

Vale uma ressalva de bússola. Esse retrato é internacional, e o Brasil não está entre os mercados pesquisados. Mas seria ingênuo achar que a onda para na fronteira. O consumidor brasileiro mais jovem bebe pelas mesmas motivações do seu par australiano ou britânico, e a mesma barreira tende a valer aqui: a curiosidade existe, o que falta muitas vezes é encontrar a garrafa. Quem observa o mercado com atenção enxerga nisso menos um problema e mais um convite.

Há uma pequena lição de mercado escondida nesses números. Enquanto boa parte do setor discute como convencer o público a querer vinho natural, o estudo sugere que o público já quer, e só esbarra na dificuldade de achar. Às vezes, a inovação não está em criar o desejo, e sim em simplesmente colocar na prateleira aquilo que as pessoas já saíram para procurar.

Por aqui, essa curiosidade encontra endereço. Temos no acervo alguns rótulos orgânicos e de produção mais natural, para quem quer entender na taça o que essa geração descobriu antes dos outros.

Fonte: The Drinks Business

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