Há algo curioso acontecendo justamente onde talvez menos se esperasse: na França, terra do Champagne, o Prosecco vem ganhando espaço nas cartas e no abastecimento de bares, restaurantes e hotéis.
Segundo estudo da FranceAgriMer, as compras de Prosecco pela restauração comercial francesa cresceram 22,6% em volume em 2025 na comparação com o ano anterior. Desde 2019, o avanço chega a 175%.
O movimento acontece em um mercado que, de maneira geral, está encolhendo. As compras de vinhos tranquilos caíram 4,9% em volume e 5,2% em valor. Já os espumantes e frisantes seguiram na direção contrária, com crescimento de 6,3% em volume.
E o contraste dentro das próprias borbulhas chama atenção. O Champagne, que ainda representa 21% do volume do segmento, teve queda de 5,5% nas compras em 2025 e permanece 25,7% abaixo do nível de 2019.
O preço ajuda a explicar parte desse movimento. O valor médio do Champagne subiu 17% desde 2019, chegando a € 21,16 por equivalente de 750 ml. O Prosecco, por sua vez, teve alta de 5%, alcançando € 5,30.
Em outras palavras, o consumidor não está necessariamente abandonando as borbulhas. O que parece estar mudando é qual borbulha cabe melhor no momento de consumo e no bolso.
A própria FranceAgriMer aponta que os consumidores franceses estão mais atentos aos gastos quando comem e bebem fora de casa. Nesse cenário, o Prosecco ganha espaço justamente por oferecer uma alternativa de menor preço dentro da categoria dos espumantes
O dado também revela uma mudança interessante na relação entre tradição e consumo. O Champagne continua sendo uma referência importante, mas o Prosecco consegue ocupar ocasiões mais informais e acessíveis, sem deixar de entregar a experiência associada às borbulhas
Talvez a questão mais interessante, portanto, não seja se o Prosecco está “substituindo” o Champagne. É entender se o consumidor está simplesmente ficando mais aberto a escolher o espumante que melhor combina com a ocasião, e não necessariamente com a tradição
Na França, esse movimento já aparece nos números. E, para o mercado mundial de vinhos, é mais um sinal de que os espumantes continuam encontrando caminhos para crescer mesmo quando o vinho tranquilo enfrenta um cenário mais difícil.








