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Os grandes vinhos encontrados nas adegas de Daniel Vorcaro

Entre os rótulos identificados estão alguns dos nomes mais cobiçados do mundo do vinho, de Pétrus e Romanée-Conti a Château Mouton Rothschild, D’Yquem e Masseto.

As adegas de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, chamaram atenção não apenas pelo tamanho, mas principalmente pela seleção de rótulos encontrados durante operações da Polícia Federal. As imagens e documentos divulgados nas últimas semanas revelaram uma coleção que reúne alguns dos nomes mais conhecidos e valorizados do mundo do vinho.

Entre os rótulos identificados aparecem Pétrus, Richebourg e Corton da Domaine de la Romanée-Conti, Château Mouton Rothschild, Château Lafite Rothschild, Château Latour, Château Cheval Blanc e Château d’Yquem. Também foram identificados Cos d’Estournel, Château Angélus, Bâtard-Montrachet, Puligny-Montrachet Les Folatières, Hermitage de Jean-Louis Chave, Masseto, Barolo Conterno, Tignanello, Dom Pérignon e exemplares de Gaja.

O nome que mais chama atenção talvez seja o Pétrus. Produzido em Pomerol, Bordeaux, o rótulo está entre os vinhos mais disputados do mercado internacional. Em uma operação realizada em 2025, a PF encontrou garrafas de Pétrus na residência de Vorcaro, com preço de referência de até R$ 100 mil por unidade. Em julho de 2026, outras dez garrafas da mesma marca foram encontradas na residência de um empresário ligado ao caso, com valor de referência de até R$ 95 mil cada. A PF ressaltou que não avaliou toda a coleção.

A seleção também atravessa o universo dos grandes vinhos da Borgonha. Richebourg e Corton da Domaine de la Romanée-Conti pertencem a uma das casas mais famosas da região, enquanto Bâtard-Montrachet e Puligny-Montrachet representam alguns dos grandes brancos elaborados a partir de Chardonnay.

Bordeaux aparece novamente em peso. Lafite Rothschild, Mouton Rothschild, Latour, Cheval Blanc, Angélus e Cos d’Estournel pertencem a diferentes propriedades históricas da região e representam estilos e terroirs distintos dentro de uma das áreas mais importantes da viticultura mundial.

Entre os brancos, o Château d’Yquem acrescenta uma categoria completamente diferente à coleção. Produzido em Sauternes, é um dos grandes nomes mundiais dos vinhos doces, conhecido pela capacidade de envelhecimento e pela concentração obtida a partir de uvas afetadas pela chamada podridão nobre.

A lista também não se limita à França. O italiano Masseto, produzido na Toscana, é um dos grandes ícones internacionais elaborados principalmente com Merlot. Do Piemonte aparecem Barolo Conterno e exemplares de Gaja, enquanto o Tignanello representa um dos rótulos mais emblemáticos da Toscana moderna. Portugal aparece com o Pêra-Manca, do Alentejo, e a Austrália com vinhos Cloudy Bay.

O Pêra-Manca, aliás, oferece um contraste interessante dentro da coleção. Embora esteja muito distante dos valores associados aos Pétrus e aos grandes rótulos da Borgonha, tornou-se um dos vinhos portugueses mais desejados do mercado brasileiro.

Mais do que uma lista de garrafas caras, a coleção revela uma característica bastante específica: os grandes clássicos do vinho mundial estão fortemente representados. Bordeaux, Borgonha, Champagne, Piemonte, Toscana e Alentejo aparecem lado a lado em uma seleção que atravessa diferentes estilos, países e tradições.

É importante, porém, separar o que foi efetivamente encontrado dos valores atribuídos às garrafas. Os preços mencionados nas reportagens são referências utilizadas para dimensionar o valor potencial dos rótulos. A Polícia Federal não realizou uma avaliação completa de toda a coleção e, portanto, não é possível afirmar quanto valeria a adega inteira.

No fim, talvez o aspecto mais fascinante para quem gosta de vinho não seja simplesmente o preço. É observar como uma única adega pode reunir alguns dos nomes que ajudaram a construir a própria ideia de prestígio no mundo do vinho.

De Pétrus a Romanée-Conti, de Mouton Rothschild a Masseto, são garrafas que representam muito mais do que bebidas. Carregam história, território, tradição, escassez e, em alguns casos, décadas de construção de reputação.

Fonte: UOL

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