Blog Meu Vinho

25/03/2020
Safra de uvas de 2020 será a melhor desde 2005
O desafio das vinícolas agora é elaborar com elas vinhos de qualidade superior
A colheita da uva está chegando ao fim na maior parte do território brasileiro. Tendo o clima como principal aliado, a safra de 2020 está deixando os enólogos com um entusiasmo que não se via desde 2005. O presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE) Daniel Salvador não tem dúvidas: “É a safra das safras”. Ele baseia a sua opinião em depoimentos, conversas com outros enólogos e na degustação de vinhos que ainda estão no início do processo de fermentação.

O primeiro vinho da safra 2020 a chegar ao mercado é o Miolo Gamay. Em junho ou julho, teremos os espumantes moscatéis elaborados no método charmat para degustar. Os brancos jovens, como os de uva moscato e sauvignon blanc, ficam prontos entre agosto e setembro. Em 2021, estarão disponíveis os tintos jovens. Já os tintos envelhecidos em barricas de carvalho poderão ser provados no final de 2022.

“Vamos encontrar tintos mais encorpados, aroma mais nítido e peculiar, uma complexidade maior na bebida. Os brancos terão uma intensidade aromática e equilíbrio em acidez e sabor. Os espumantes vão apresentar uma delicadeza e finesse jamais vista”, prevê Salvador.

Ajuda da natureza

O Rio Grande do Sul, estado responsável por 90% da produção de vinho nacional, tem a maior parte das vinícolas concentradas na Serra Gaúcha. Nessa região, no final de 2019 e início de 2020, o tempo seco, com amplitude térmica e intensidade de sol e pouca chuva mantiveram os vinhedos saudáveis. Esse é um dos motivos que fará com que o teor de açúcar dessa safra fique um pouco mais elevado se comparado com a média dos anos anteriores, de 3 a 4 graus acima.

Na Serra Gaúcha, a colheita da safra de 2020 deve seguir até o final de março. Na região da Campanha do RS deve se prolongar um pouco mais, enquanto Santa Catarina está no meio da safra. Já no Sudeste, as vinícolas de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo devem começar a colher agora.

Na região do Vale do Rio São Francisco, no Nordeste brasileiro, o clima varia pouco durante o ano. Com baixo regime de chuvas, o manejo muda pouco, resultando em safras regulares. Aliás, são essas condições climáticas que fazem com que as videiras produzam duas safras por ano, algo impossível nas outras regiões produtoras de uva do país.
 
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